Essa dor que não cala, essa lágrima que não seca...

HOMENAGEM

Quando tinha 8 anos, no Dia das Mães, fui participar de uma homenagem dedicada a elas. Diria um pequeno poema. Subi ao palco, e quando a primeira palavra do poema saiu, arrancou-me um turbilhão de lágrimas emocionadas que deixaram o poema preso na garganta para sempre. Todos riram. Só eu chorei!

A pedido de Telma resolvi tentar, 50 anos depois, dizer à minha mãe os versos que, menino, não disse. E sei que o faço em nome de Ana, Herberth, Suely, Neto, Telma e Vera Júnior. Também o faço em nome dos netos, Herberth Júnior, Rogério, Marcelo, Francisco Júnior, Fábio, Ricardo, Flávio, Adriano, Vera Cruz Neto, Oscar Júnior, Danielle, Vera Alcine, Andrea, Rafaela, Jéssyca, Nayana e Alana. E dos seus bisnetos, Leandro, Isabella e Giovanna que, por certo, não lembrarão da bisa, mas  contaremos a eles o exemplo de Vida dessa mulher-poema criada por Deus.

Falar da mãe da gente é fácil. Todos já dedicaram palavras doces e carinhosas à suas mães. Poetas, compositores, escritores, enfim, todos já exaltaram o papel da mãe. Muitos também já choraram a perda da sua querida mamãe. Há pouco tempo perdemos duas mães que eram símbolos de amor e dignidade. Tia Dalila, única irmã de mamãe, e Tia Heliete, que viveu sua vida com vovó Aureolina.

Vamos sempre evocar a imagem simples e forte de mamãe. Porque essa é a síntese de Santinha. Simplicidade e Força. Simplicidade para se despojar de todo bem material e oferecer sua bênção, seu conforto, a palavra amiga e até seu último centavo quando um de nós precisava. Força exaltada quando precisava defender seu marido dos inimigos armados da Ditadura Militar, ou defender suas crias em qualquer situação. Aí a Santa virava uma tigresa, e partia com toda força materna em defesa dos seus.

Falar da mãe que foi chamada ao Reino de Deus é, deveras, difícil. Falar dela? Como? Que outras palavras definirão essa mulher que gerou, educou e formou 7 filhos em meio à às dificuldades de uma época pobre, dando-lhes caráter, fé e dignidade.

Com quais versos eu poderia compor um poema para falar daquela mulher que se jogava em uma máquina de costura durante noites sem fim para vestir Ana e Herberth para a Primeira Comunhão? Ou aquele vestido com o qual Suely e Telma iriam debutar? Em que livros buscaria definições para explicar tanta dedicação materna, sem jamais cobrar sequer um carinho? Nada, ela só queria um sorriso estampado no rosto de Neto ou de seu caçula Vera Júnior quando saíam para namorar. Ela não queria nada. Só nos queria felizes!

E o poema? Alguns podem indagar…

Confesso que aqueles versos minha cabeça já embranquecida e agora confusa esqueceu. Nunca mais te direi aqueles versos, mãezinha.

Mas lembro de outros, que aprendi com ela. Dizem assim:

O amor de mãe é amor profundo

Enquanto uma mãe cantar

Junto a um bercinho,

Cantará Esperança para o Mundo.

(Texto de Regis e leitura de sua filha Rafaela, na Missa de Sétimo Dia do falecimento de sua Mãe e avo, Francisca Ribeiro Furtado Marques, conhecida por Santinha. *22.05.1922 – + 07.05.2011)